Vamos salvar a floresta!

É real e visível, não temos como negar, a nossa floresta está cada vez mais reduzida e isso leva-me a pensar: “porque é que com tantos avisos, tantas reportagens, tantas notícias, tantas campanhas, tantas ações, isto continua?” Cheguei à conclusão que o ser humano é um ser ganancioso, ávido, sedento: quer sempre mais, e passa, sem pudor, por cima de qualquer um ou qualquer coisa para obter lucro rápido.

Isto leva-nos a um dos assuntos principais desta reportagem: a desflorestação.

E “o que é a desflorestação”? Decerto, já ouvimos esta pergunta milhares de vezes e outras tantas respostas, no entanto, poucos são os que realmente se preocupam e menos ainda são aqueles que se juntam na luta contra este terrível facto, bem presente na atualidade, à escala planetária.

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A desflorestação  é o desaparecimento completo ou permanente das florestas e atualmente, causado na maioria por ações humanas: incêndios intencionais e naturais, extração de madeira e petróleo, pecuária e agricultura intensiva, abate massivo de árvores,…

Falemos agora de Portugal.

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Portugal, nos últimos anos tem vindo a sofrer uma enorme desflorestação, causada, na maioria, por incêndios, e, consequentemente tem vindo a perder florestas que contém várias espécies autóctones.

Contudo, as espécies autóctones ou nativas estão em risco também devido ao plantio de árvores exóticas. E porque é que plantamos árvores estrangeiras? Estas foram introduzidas, sobretudo, para fins ornamentais ou exploração florestal. Hipnotizados pela sua beleza, habituámo-nos a conviver com elas sem suspeitarmos dos seus verdadeiros impactos. Quando uma planta é introduzida num ecossistema diferente do seu local de origem, podem ocorrer três situações distintas: não encontra condições adequadas à sua sobrevivência e acaba por morrer; encontra condições boas, torna-se residente e vive em equilíbrio com os restantes seres vivos do ecossistema; ou depara-se com condições muito favoráveis, pelo que se torna invasora.

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O termo “invasora” ou praga vegetal usa-se normalmente para nos referirmos a uma espécie naturalizada com elevada taxa de reprodução e que é capaz de colonizar áreas afastadas da zona inicial de introdução, sem necessidade de intervenção humana.

Se de invasoras falámos, não podemos descorar as mimosas. Acacia dealbata é uma espécie de árvore nativa da Austrália. Tem crescimento rápido, desenvolvendo-se rapidamente depois dos fogos. Devido à facilidade de propagação e resistência, é uma espécie invasora em muitos habitats.

Por outro lado, temos o eucalipto, Eucalyptus, considerado o campeão das espécies introduzidas. Em Portugal esta árvore comporta-se como uma espécie invasora, no entanto, nenhuma medida de aniquilação foi levada a cabo sobretudo devido ao valor económico da espécie (esta cresce rapidamente e é muito utilizada para produzir pasta de celulose, usada no fabrico de papel, carvão vegetal e madeira…).

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Contudo, dado que o eucalipto consegue absorver grandes quantidades de água no verão, apresenta vantagem competitiva sobre as demais espécies vegetais, com consequências nocivas para a biodiversidade das florestas.

Como é que podemos controlar o avanço das espécies invasoras? Os métodos usados são, geralmente, o controlo mecânico, químico ou biológico e o fogo controlado. O controlo mecânico passa por arrancar as plantas. Isto exige muito trabalho manual, uma vez que, para todas as espécies que enraízam facilmente, é necessário garantir que não ficam restos no terreno. O controlo químico consiste na utilização de substâncias, como herbicidas, que matam ou enfraquecem as plantas. O aspeto mais negativo deste método prende-se com os possíveis efeitos adversos para outras espécies e para o meio ambiente, felizmente este método está proibido. No controlo biológico, recorre-se a inimigos naturais, normalmente originários do mesmo sítio da planta invasora.

Mas, qual será a importância das florestas autóctones e porque é que temos de as proteger?

As florestas autóctones estão mais adaptadas às condições do solo e climáticas do território, logo são mais resistentes a pragas, doenças e a períodos longos de estio ou chuvas intensas, em comparação com espécies introduzidas. Estas também servem de refúgio e reprodução para um grande número de espécies animais autóctones, muitas delas também em vias de extinção. Devido à sua importância. Foi criado um dia especialmente para as espécies autóctones, sendo algumas delas Quercus suber (sobreiros), Quercus (carvalhos), Fraxinus (freixos) e Alnus (amieiros), 23 de novembro, para promover a difusão da importância económica e ambiental da conservação das florestas autóctones e a necessidade de as proteger da destruição.

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Entristece-me constatar que na região onde a minha escola está inserida os incêndios, na época do estio, fustigam a floresta e que as espécies autóctones estão a perder lugar para as espécies induzidas. Chegou a minha hora de atuar como estudante, cidadã e elemento do clube de Saúde e Ambiente, avançando como uma solução para travar o desaparecimento de uma espécie autóctone tão importante como, por exemplo, o carvalho, proponho e vou promover a afixação de cartazes em espaços públicos como escolas, jardins, cafés ou centros comerciais e que se faça uma  campanha de recolha de bolotas para posterior sementeira. Após a recolha, sugiro a confeção de pequenos sacos recicláveis para armazenar três ou quatro bolotas e que serão oferecidos à comunidade com o convite para a sementeira das mesmas, no dia e local a designar.

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A fim de evitar situações que põe em risco a floresta autóctone, nós, enquanto cidadãos conscientes e responsáveis, podemos e devemos dar o nosso contributo através de comportamentos informados e responsáveis. Eis algumas sugestões que estão ao nosso alcance: não transportar espécies para fora dos locais de onde elas são nativas; ao comprar plantas, preferir as espécies autóctones e se se optar por exóticas, informar-se previamente do seu carácter invasor; quando se fizer a limpeza do jardim ou terrenos de cultivo, não deitar restos de vegetais exóticos na natureza; e participar em ações de controlo de espécies invasoras.

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O planeta Terra está nas nossas mãos e não, não é um brinquedo. A sua vida depende de nós e nós dependemos dele. Pequenas atitudes por vezes causam um grande impacto, lutemos pelo ambiente, e neste caso particular pela floresta. Ela agradece!

 

Cláudia Costa (EB 2,3 de Mundão)

Fotos cedidas pelo fotógrafo e ambientalista Carlos Cunha

 

 

Alunos envolvidos no projeto: Cláudia Costa

Escola: EB 2,3 de Mundão

Data: 22.02.2016

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