Sentidos, Saberes e Memórias

Tendo entre os seus objetivos contribuir para aumentar a consciência da juventude europeia relativamente ao desenvolvimento sustentável e sensibilizar o conjunto da comunidade educativa para a necessidade de se desenvolverem práticas de alimentação sustentáveis, o projeto EAThink tem-nos feito dar um passo em direção ao meio envolvente, pousar uma segunda vez o olhar sobre aquilo que com frequência se remete para segundo plano; de certa forma, recolhermo-nos um pouco sobre nós próprios e ponderarmos atitudes ou, talvez mais importante, escolhas - as grandes protagonistas na construção de uma sociedade.


Na Quinta de São Paulo, Palmela.

A Quinta de São Paulo, abrigada no vale da serra de Palmela, que tivemos a oportunidade de conhecer, parece-me associar-se perfeitamente aos princípios que reiteram este projeto, pelos objetivos que apresenta, mas essencialmente pelo modo como, aparentemente, faz viver esses objetivos no seu quotidiano.

Foi esta a impressão que resultou da nossa pequena deambulação pelos diferentes espaços funcionais da quinta, que fizemos tranquilamente, e durante a qual nos inteirámos dos métodos de produção usados, dos benefícios e dificuldades associados ao biológico. A harmonia que se ressente entre os dinamizadores da visita e o próprio espaço facilita o conseguirem aproximar-nos a nós, vindos de fora, do ecossistema que ali funciona e que exige uma passagem do tempo menos acelerada, tempo que a sociedade altamente consumista e vocacionada para o lucro há muito deixou de oferecer.

Refletir sobre estas questões de olhos postos numa terra florescente, onde tudo o que cresce é de cores vívidas e aromas intensos, onde o respeito se planta e se colhe, reforça o sentido que tem questionarmos prioridades e repensarmos o cuidado que dispensamos à alimentação e à forma como esta é conseguida.

A segunda parte da nossa visita levou-nos até ao centro de Setúbal, ao Museu do Trabalho Michel Giacometti, que apresenta duas exposições permanentes, “A Indústria Conserveira” e ““Mercearia Liberdade”, incidindo ambas sobre o passado rural e fabril português, uma dimensão que atualmente nos parece obsoleta, muito embora fosse a realidade de grande parte da população há não mais de cinquenta anos atrás. Uma vez mais se sente a mudança colossal que se deu ao longo do tempo quanto ao significado atribuído à vida e à definição das suas prioridades, quando se observam a postura perante o trabalho e a sujeição a condições que designaríamos impensáveis para as nossas gerações. Mas embora a reação geral perante a repressão e a falta de direitos seja sempre de repulsa e indignação, podemos pensar se de facto estaríamos suficientemente atentos e prontos para travar o progresso circular da História se assim fosse necessário…

Não foi de facto pouco o que nos ficou deste dia, temas que se subdividem em tantas outras questões que poderíamos infinitamente aprofundar – talvez nos fiquemos pelo questionar, mas guardamos também a vontade de proceder nas nossas ações a uma pequenina mudança.

 

Alunos envolvidos no projeto: Bárbara Sexauer

Data: 09.05.2018

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