Rio Tinto dita as tendências: vermelho é a cor da moda

RioTinto
Rio Tinto

“Reza a lenda que, no início do século X, junto a um límpido ribeiro, travou-se uma sangrenta batalha. Na memória do povo, ficou o sangue derramado, que de tão abundante, tingiu as cristalinas águas do rio que, desde então passou a chamar-se rio Tinto”, informação retirada de Rio Tinto Apontamentos Monográficos (1999).

O afluente do rio Douro já foi um bom local para a população relaxar, no entanto, nos últimos anos, as descargas ilegais e resíduos urbanos vão diretamente para este, “Recolhemos 2 toneladas de lixo; carros de bebé, fraldas, entre outros…”, revela Fátima Silva, professora de História e membro do grupo MOVE Rio Tinto.

Cerca de 7 000 000 m3 de esgotos de casas acabam no rio em cada ano, pois a população não se liga às redes de esgotos.

Marta Macedo, engenheira do ambiente e também voluntária da MOVE Rio Tinto, afirma que “A nascente é um problema, na medida em que o rio é logo enterrado à nascença”, visto que “nasce num sarcófago”.

O rio nasce em Valongo, segue por Ermesinde, passa por Rio Tinto (5KM entubado) e desagua no Porto, no rio Douro na margem direita. Apesar de passar 5KM perto da população, esta não o vê, uma vez que foi entubado. Para além disso, os habitantes não aceitavam a situação e preferiram ter uma piscina a um rio sujo e problemático, cujas condições ainda não são totalmente satisfatórias.

 

Acontecimentos que levaram à poluição

“As descargas provenientes das habitações são o resultado do rápido e forte desenvolvimento demográfico, que trouxe problemas de ordenamento de território, nomeadamente na instalação de saneamento básico, o que acarreta problemas ambientais desde há 40 anos” comenta Nuno Santos. Para além deste problema, a Lipor era frequentemente referida como uma das empresas mais poluidoras, através de descargas dos aterros. O administrador Fernando Leite admite a veracidade deste facto mas esclarece que “atualmente a situação está resolvida, já não poluímos o rio”.

Em suma, as descargas ilegais ou urbanas são o maior problema que a freguesia enfrenta, de momento. “As pessoas precisavam de espaço para viver, e por isso, construíram casas e “viraram” as costas ao rio, o que significa que não se importam com ele” afirma Marta Macedo. Este facto leva a uma elevada pressão sobre as margens do rio que, consequentemente, causa inundações, devido ao caudal inconstante.

“As ETARs não produzem água pura, límpida, boa para consumo, mas útil para regas e banhos. Em Rio Tinto isso não acontece, a água não é boa para nada e descarregam-na no rio” afirma a engenheira do ambiente. Era necessário que a ETAR colaborasse e impedisse este grande obstáculo, mas garantir que esta cumpra a lei e funcione corretamente é difícil e complicado, até ao momento não obtivemos resposta dessa empresa. Fernando Leite confirma também que “o sistema de tratamento instalado na ETAR de rio Tinto era desajustado face às soluções tecnológicas disponíveis atualmente (…) e a licença de descarga emitida pelo Ministério do Ambiente impunha que os efluentes tratados deveriam cumprir determinadas ‘Percentagens de Remoção’”

Deste modo, a Instituição As Águas de Gondomar confirma a abertura de uma nova ETAR em setembro.

 

Soluções apresentadas

A junta de Freguesia de Rio tinto tem colaborado com o Movimento de Defesa do Rio Tinto na limpeza das margens e na realização de campanhas de sensibilização junta da população jovem em escolas e dos moradores. Estas são as soluções mais eficazes para a despoluição, como o fim das descargas ilegais de efluentes domésticos e o entubamento do rio. A Câmara de Gondomar já começou a entubá-lo. No entanto, esta medida “tira toda a beleza que um rio pode dar”, contrapõe Marta Macedo.

Alguns dos moradores que vivem mais perto do rio defenderam esta solução, pois assim evitava-se que o rio transbordasse e causasse inundações nas casas e a contaminação de pessoas. Por outro lado, houve veladas, sinais de luto, manifestações e artigos em jornais contra a solução.

“A reabilitação das águas do rio é possível, mas vai levar muito tempo” afirma Marta. Como a quantidade de poluição patente na água descarregada é tão elevada, um afluente de pequeno porte não é capaz de a diluir e regenerar. Atualmente, a água está imprópria para banhos devido a perigo de contaminação pelas bactérias. Apesar de em algumas zonas aparentar ser límpida, a água não é potável.

A ETAR de Meiral, em Rio Tinto, está a ser alvo de modernização, o objetivo de 4,5 milhões de euros é equipara a empresa com os instrumentos necessários ao cumprimento das normas legais.

Para além disso, anteriormente, existia uma brigada denominada de Guarda-Rios que tinham como missão limpar as margens do afluente e fiscalizar as descargas, nesse caso multavam. No entanto, desaparecem devido a mudança do modo de vida e confiança na autonomia das pessoas. Atualmente, “fala-se muito da reinstituição dos guarda-rios, mas ainda não foi feito” refere Marta Macedo.

Outra solução apresentada foi a criação de um grupo que, de porta em porta, se certificasse que os habitantes estavam ligados à rede de esgotos, caso contrário davam a hipótese por uma certa quantia monetária. Mais tarde, seria sorteado uma viajem a Paris a uma pessoa que tivesse seguido o movimento.

 

Consequências relacionadas

O rio Tinto apresenta, em vário pontos, entre os concelhos de Valongo e Porto, larvas aquáticas que só sobrevivem em águas com elevado nível de poluição. Também é constituído por coliformes fecais e bactéria do leito do rio, com valores 100 vezes acima do que é permitido por lei. Ao mesmo tempo, a biodiversidade do afluente é extremamente reduzida, sendo apenas possível identificar uma espécie de macro-invertebrados. Com a poluição, o rio perdeu grande parte da sus fauna e flora originais, ao longo dos anos. Este facto é motivo de tristeza por parte da organização Move Rio Tinto, já que referem a importância da existência de “um rio vivo”.

Felizmente, o estado ecológico atual do rio Tinto apresenta níveis de poluição perto do “médio”, comparativamente com a má classificação dos anos anteriores, afirma o estudo da Universidade Fernando Pessoa.

 

Autores: Bruna Viático, João Grijó, Margarida Borges, Sofia Amorim

Externato das Escravas do Sagrado Coração de Jesus – Porto

 

Fontes:

http://moveriotinto.no.sapo.pt/artigoPedroTeigaPrimJaneiro.pdf

http://jpn.up.pt/2007/04/04/poluicao-no-rio-tinto-e-um-problema-com-decadas/

http://vivacidade.weebly.com/nova-etar-de-rio-tinto-entra-em-funcionamento-em-setembro.htmlhttp://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=138894

http://www.publico.pt/local-porto/jornal/os-verdes-exigem-recuperacao-do-rio-tinto-um-dos-piores-do-norte-24330531

Fonte da imagem: http://xn--viajesporespaa-2nb.org.es/category/rio-tinto/

 

Alunos envolvidos no projeto: Bruna Viático; João Grijó; Margarida Borges; Sofia Amorim

Escola: Externato das Escravas do Sagrado Coração de Jesus

Data: 22.04.2015

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