Resíduos hospitalares, o dano colateral do Coronavírus

Foi com alívio que esta semana aterrou no Porto o tão esperado avião Antonov com material de auxílio ao sistema nacional de saúde. Desta vez chegaram 3 milhões e meio de máscaras, 300 mil toucas, cem mil batas e outros materiais de proteção para os médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde que estão na linha da frente no combate ao covid-19. Estas 80 toneladas de material de proteção individual descartável terão como fim um aterro sanitário e obviamente isto trará várias repercussões.


O Antonov AN-124-100, um gigante do ar, chegou com 80 toneladas de material de proteção que irá diretamente para a frente de combate ao novo coronavírus. Esta guerra ao inimigo invisível provoca, no entanto, imensos danos colaterais, sendo um deles, os resíduos hospitalares. Este tipo de resíduos causam um impacto ambiental significativo, pois são descartados para o sistema de tratamento de resíduos sem qualquer tipo de valorização ou reutilização devido à contaminação dos mesmos.

O que são estes resíduos?

O lixo hospitalar é constituído por  resíduos resultantes de atividades de prestação de cuidados de saúde e, tal como todo o tipo de resíduos, estes acabam por  ter também consequências ambientais. Relativamente aos resíduos hospitalares, estes podem ser divididos em 4 grupos mediante o tratamento  usado para eliminar os contaminantes, sendo que só até ao segundo grupo podem ser valorizados. Estes 500 m3 de material, que chegaram a Portugal recentemente, são seguramente representativos do Grupo 3. Segundo a DGS, os resíduos de risco biológico ou do grupo III são sujeitos a pré-tratamento por autoclavagem, em unidade licenciada para o efeito, e posteriormente são depositados em aterros de resíduos industriais tradicionais. 

Os materiais de proteção individual usados na luta contra a pandemia, devido às normas de segurança, acabam por ter um curto período de uso e com isso acaba por se produzir uma quantidade enorme de resíduos hospitalares. Em situações angustiantes,  como a que está a ocorrer após declarado o estado de emergência, os materiais são usados de forma massiva na luta contra o coronavírus o que tem aumentado, em grandes quantidades, os resíduos hospitalares. Em prol da segurança da população é necessário  maior cuidado com os resíduos já que estes, antes do seu rígido tratamento, têm uma grande possibilidade de conter bactérias ou outros vírus prejudiciais, sendo classificados por isso mesmo como resíduos de risco biológico.

Resíduos hospitalares em tempo de combate ao Coronavírus

Evidentemente também já se efetuam estudos e procuram soluções na área do tratamento destes resíduos hospitalares, com o intuito de atenuar os efeitos desta crise. 

Produção nacional versus recuperação da atividade comercial da China 

Esta epidemia  trará evidentemente consequências graves do ponto de vista económico e também social. Há soluções que estão a ser apontadas para as enfrentar e atenuar como a produção a nível nacional deste tipo de recursos, sendo essa capacidade da indústria portuguesa afirmada pelo presidente do Infarmed, Rui Santos, existindo no site do ministério da saúde indicações para empresas portuguesas que queiram trabalhar nesta área da produção de equipamentos de proteção. Essa opção não só atenuaria os previsíveis efeitos económico/sociais da crise que se avizinha, bem como reduziria a emissão de gases de efeito de estufa ao dispensar o uso de transportes aéreos de mercadorias. Exemplo disso é a campanha «Alimente quem o alimenta», que segundo a ministra Maria do Céu Albuquerque, visa incentivar o consumo de produtos locais e o recurso aos mercados de proximidade.

Após a diminuição na emissão de poluentes da china, entre janeiro e o início de fevereiro, a retoma da laboração chinesa causou já um novo aumento na produção industrial e a retoma de parte das exportações mundiais que dependiam deste grande país. Observando isto, é notório que a urgente necessidade de materiais de proteção hospitalar, é promotora da retoma da produção industrial chinesa e consequentemente segue-se o movimento aéreo de aviões de carga para todo o mundo. Exemplo disso é chegada do avião Antonov ao Porto com toneladas de materiais de proteção individual, que apesar de imprescindíveis deixam uma  pegada carbónica no transporte dos mesmos.

A pressão do Serviço Nacional de Saúde na necessidade de proteção de quem luta contra a pandemia e de enormes quantidade de materiais, justifica a chegada de vários carregamentos aéreos desta dimensão. Não obstante a urgência que esta situação requer, é importante que sejam dadas outras soluções que promovam medidas económicas, sociais e ambientais para Portugal.

Fontes:

SIC Notícias(01/04/2020): avião Antonov chegou ao porto com 80 toneladas de material de proteção individual[Acedido em 01/04/2020]. Disponível em:

https://sicnoticias.pt/especiais/coronavirus/2020-04-01-Aviao-que-chegou-ao-Porto-trouxe-80-toneladas-de-equipamento-medico

DGS(07/01/2014): o que são resíduos hospitalares e o seu tratamento[Acedido em 29/03/2020] Disponível em:

https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/residuos-hospitalares-pdf.aspx

Saúde mais: Rui Santos afirma que a indústria portuguesa tem capacidade para produzir equipamentos de proteção[Acedido em 02/04/2020] Disponível em:

https://www.saudemais.tv/noticia/9272-covid-19-cem-toneladas-de-equipamentos-de-protecao-chegam-na-terca-feira-governo

Susana Santa Rita: Entrevista sobre classificação dos resíduos hospitalares

 

Alunos envolvidos no projeto: Diogo Martins

Data: 03.04.2020

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