Quando algo de bom passa do limite

O Algarve e a área metropolitana de Lisboa continuam a ser os dois destinos mais procurados pelos estrangeiros para passar as suas férias, mas os impactos deste elevado fluxo de turistas não está a ser bem equacionado.


Lisboa, Portugal.

Enquanto no Algarve já era comum ouvirmos falar várias línguas, em Lisboa, a língua de Camões começa a ser um elemento estranho. Segundo o INE, em 2017, Portugal recebeu 23 954 milhões de turistas, o equivalente a quase 2,5 vezes a população de Portugal.  Só o Algarve concentrou 36,6 % das dormidas e a área metropolitana de Lisboa, 26,8%. Contudo, a nível nacional, a região Centro foi onde mais aumentou o n.º de turistas, com +31, 6% do que no ano anterior, seguida do Alentejo com +18,8%.

Os ingleses e alemães continuam a ser as nacionalidades que mais nos visitam, respetivamente, 22,5% e 13,5%, do total dos turistas.

É obvio que estes números trazem consequências muito positivas para a economia do país. No final de 2018, a atividade turística já valia 17,7% do PIB e o desemprego estabilizou em valores considerados baixos, 6,7 %, no terceiro trimestre de 2018. Contudo, nem tudo são rosas, uma vez que não estão devidamente acauteladas as consequências da forte dependência de Portugal do turismo. Caso se verifique na Europa uma crise semelhante à de 2010, Portugal ficará numa situação muito fragilizada.

Outro aspeto de que pouco se ouve falar é o elevado stress na utilização de infraestruturas e dos edifícios históricos, que não foram planeados para serem utilizadas, em momento de maior fluxo turístico, particularmente durante os meses de verão, por mais do dobro da população portuguesa, como, por exemplo, o aumento exponencial dos consumos de recursos naturais como a água e de recursos energéticos ou alimentares. Acresce, ainda, um outro  problema: a ocupação excessiva de habitações nos núcleos históricos de Lisboa e Porto, onde a inflação imobiliária tem contribuído para o afastamento da população residente, principalmente de uma idade avançada e a completa alteração dos espaços e dos hábitos socioculturais destes bairros históricos. Muito do nosso património imobiliário está a ser adquirido por estrangeiros, principalmente franceses.  Também o elevado preço dos quartos tem afastado muitos dos jovens estudantes que residem fora de Lisboa e escolheram, como primeira opção, a cidade para aí realizarem os seus estudos universitários.

Os impactos ambientais são os mais preocupantes, uma vez que Portugal ainda não conseguiu dar uma resposta ecológica à eliminação de resíduos sólidos urbanos como, por exemplo, através da compostagem de resíduos provenientes da preparação de alimentos nas unidades hoteleiras e de restauração. Muitas das  unidades hoteleiras ainda não aplicam políticas de poupança de recursos, desde a água que se consome, diretamente, através de banhos e duches, como indiretamente, através de mudas diárias de toalhas ou outros recursos colocados à disponibilidade dos turistas.

Como diz o ditado popular – no meio está a virtude. Contudo, Portugal não estava preparado para este excesso!

Fonte dos dados: INE (2018). Estatísticas do Turismo 2017.

 

Alunos envolvidos no projeto: Cláudia David, 9.ºAno, turma B.; Márcia Capinha, 9.ºAno, turma B

Escola: Escola Cidade de Castelo Branco

Data: 20.02.2019

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