Praia das Avencas – Do sonho ao pesadelo

A Zona de Interesse Biofísico das Avencas (ZIBA), também conhecida como Praia das Avencas, foi recentemente classificada, pela Câmara Municipal de Cascais, como a Área Marinha Protegida das Avencas (AMPA). Este ecossistema diversificado e único é a primeira área marinha protegida com gestão local, do país.


No âmbito de uma visita guiada com o objetivo de divulgar a AMP das Avencas, a sua importância, as espécies que habitam este local, a importância da preservação desta praia e as atividades proibidas na mesma, foi possível observar vários seres vivos como anémonas, ouriços-do-mar, estrelas-do-mar, pepinos-do-mar, entre muitas outras espécies visíveis na AMPA durante a baixa-mar (Figura 1).

Figura 1 – Biodiversidade da Praia das Avencas

A Praia das Avencas acolhe um ecossistema frágil e delicado, pelo que a partir da visita guiada, também foi possível identificar algumas das atividades que devem ser evitadas pelos seus utentes, no sentido de preservar toda a biodiversidade presente, como por exemplo, a pesca não autorizada, o pisoteio, a remoção de plantas necessárias à fixação do solo e o lixo deitado ao longo desta zona.

Devido à sua variada riqueza natural, a Praia das Avencas é uma zona muito frequentada por todo o tipo de pessoas – pescadores desportivos, alunos, investigadores e veraneantes. Após o estudo das diferentes utilizações feitas do local, já referidas anteriormente, constata-se que são várias as causas de um impacto negativo no ecossistema.

O desconhecimento das normas de preservação e respetivos limites, bem como a pressão humana na época balnear contribuem para a degradação deste importante ecossistema.

Ao visitar a Praia das Avencas, é visível um enorme impacto ambiental causado pela poluição. O Plástico, transportado pela tempestade,  é o agente poluente mais visível neste local e também o principal responsável pela poluição de todos os oceanos, pois este pode danificar a biodiversidade de diferentes modos, como por exemplo, a partir de microplásticos( Figura 2).

Figura 2 – Plásticos no areal

Os microplásticos acabam por ser ingeridos pelos seres vivos que habitam os oceanos e entram na cadeia alimentar, prejudicando diversos organismos, inclusive humanos. Apesar de estas pequenas partículas de plástico causarem mais danos, outros tipos de plástico também acabam na cadeia alimentar, por exemplo, quando os sacos de plástico se confundem com alforrecas e são consumidos por tartarugas. A Câmara Municipal de Cascais procede à remoção destes plásticos e à limpeza diária das praias, mas cada cidadão deve praticar um consumo consciente, ou seja, repensar e reduzir o seu consumo. Quando esta opção não for possível, a solução será optar por um consumo mais sustentável e pela reutilização e/ou reciclagem.

Devemos neste, como em tantos outros locais, apoiar e acarinhar iniciativas que visem a proteção ambiental, sejam elas do poder local ou individuais. A Junta de Freguesia de Cascais e Estoril estabeleceu recentemente uma parceria com o Movimento Claro Cascais, criado por três jovens estudantes cascalenses, no sentido de sensibilizar os cidadãos para uma mudança de atitude. Este movimento vai tentar abolir a utilização dos plásticos usualmente utilizados nos serviços, tais como as palhinhas, sacos e garrafas.

Visto que os oceanos e respetivos habitantes já foram gravemente prejudicados pelo consumo excessivo e descontrolado do ser humano, está na altura de fazermos a diferença e mudar os nossos hábitos de maneira a tornar o Planeta Terra um lugar melhor e mais saudável!

 

Alunos envolvidos no projeto: Joana Ramos Pisco

Escola: Escola Secundária de S. João do Estoril

Data: 15.06.2018

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