Pensa como um chef Michelin

Na Europa e América do Norte, desperdiçam-se centenas de quilos de comida per capita e 32 percento de toda a comida produzida no mundo perde-se ou é desperdiçada  (FAO, 2012). As causas destes factos relacionam-se com as fases de produção, venda  e o próprio consumo

Jovens Repórteres para o Ambiente da escola secundária de Caneças, entrevistaram Miguel Rocha Vieira, um conceituado Chef Michelin, e aplicaram 59 questionários a jovens e adultos, procurando respostas para minimizar o impacto do desperdício alimentar.

Todos os anos, os portugueses deitam para o lixo um milhão de toneladas de alimentos, ou seja, cada um desperdiça em média 132 quilos de comida por ano. Só as famílias desperdiçam 324 mil toneladas.  (DN, 2016)

Em todo o mundo consumir “coisas” e deitar fora faz parte de uma rotina, e os desperdícios alimentares estão incluídos nessas ditas “coisas”.

Mas… podem os desperdícios alimentares ter uma segunda oportunidade? Podemos reutilizá-los de variadas e deliciosas maneiras?

 O chef Michelin

Miguel Rocha Vieira, conhecido e condecorado Chef, que gere o restaurante “Fortaleza do Guincho”, em Cascais, Portugal.

Nascido há 38 anos atrás, vivendo entre Lisboa e Budapeste, onde também é Chef  num restaurante em Costes – Em 2010, conquistou a primeira e até ao momento única estrela Michelin na Hungria- conta com 3 estrelas Michelin.  É, assim, o chef português com mais estrelas Michelin e é também um dos jurados do programa Masterchef Portugal.

Ao longo da entrevista que nos concedeu, uma ideia ressalta:

“Aqui nós tentamos não desperdiçar nada e reutilizar tudo”.

Miguel Rocha Vieira explica-nos como: 

“Nós tentamos reutilizar tudo porque aqui temos um hotel então tentamos ter uma carta para o restaurante e uma carta para o bar onde possamos reutilizar os alimentos de uma para a outra.”

Factos – e o cidadão comum?

Questionámos, também, 59 jovens e adultos sobre o mesmo assunto.

Apenas, cerca de metade (31/59) respondeu que, quando há desperdícios alimentares, opta por os guardar e mais tarde reutilizar essa mesma comida, ou na refeição seguinte, ou congelando-a para utilização futura ou , ainda, reutilizando-a em novas receitas.

O que é mais desperdiçado?

A segunda questão a que se referiu Miguel Vieira refere os constrangimentos em doar alimentos “ A minha vontade era dar os desperdícios alimentares a todos os  que estivessem a necessitar e para nós parece muito simples entrar em contacto com alguém e dizer para vir buscar a comida mas não é tão simples quanto isso, pois existem variadas burocracias que devemos seguir, o que  tornar bastante complicado realizar esta ação”.

Assim, que é mais desperdiçado são os laticínios (como manteiga e iogurtes), por vezes estes já passaram de validade e não podem ser consumidos, ainda que  nem sempre signifique que já não estejam em condições para comer.

Algo também referido pelos nossos inquiridos, mas, como podemos ver no gráfico a maior parte desperdiça fruta e vegetais e a resposta mais surpreendente foi dada pelo grupo mais jovem: massa e arroz.

“Quem dita a ementa é a natureza, e não nós!”

Um lema do restaurante consiste em usar produtos da estação. Por  exemplo,  o Chef não compra morangos no meio do inverno e refere que  “também não o devemos fazer, pois estes viriam  de países distantes, o que não é bom para o ambiente e nem para as bolsas dos portugueses pois iríamos pagar mais por um produto não tão bom como desejamos”.

Em casa devemos seguir a mesma regra. (Para consultar mais em detalhe algumas vantagens de consumir produtos da época pode consultar o site http://ecocanecas.wixsite.com)

Consome-se  apenas  o necessário?

O chef surpreendentemente (ou não!) informou-nos que as pessoas no seu restaurante só encomendam o que precisam. Na sua opinião as pessoas pedem apenas o que precisam devido ao facto de nos dias de hoje, se interessarem e preocuparem mais com o que comem, devido a quererem saber o que é bom para a sua saúde e para a sua imagem, pois as pessoas interessam-se cada vez mais pelo seu fisico.

Perguntámos no nosso inquérito se a escolha recai sobre packs individuais ou familiaress e se compram apenas o necessário.  A maior parte das respostas (jovens e adultos) aponta para a  preferência de packs familiares. Quanto à segunda questão, a maior parte das pessoas compra apenas o necessário.

 

“É importante prestar atenção ao que se cozinha em casa”

 Miguel Vieira considera que  a nossa geração é mais ambientalista do que as gerações anteriores, mesmo assim deixa uma mensagem:

“É importante prestar atenção ao que se cozinha em casa porque há um grande problema, obesidade infantil (…); eu penso ser importante comer saudavelmente e daí vamos de volta ao mesmo tópico, comer produtos locais e da época, é delicioso”.

Algumas dicas e receitas

Alguns dos inquiridos deram-nos algumas receitas como “Empadão” e “Quiche” ambas feitas com sobras alimentares, mas Miguel Vieira deu-nos outra dica, usar os ossos para fazer molhos/caldos, “pois vão ficar deliciosos e fazem sempre a diferença nos pratos”.

Receitas e outras dicas poderão ser consultadas a partir de 28 de abril  no site http://ecocanecas.wixsite.com

 

 

Alunos envolvidos no projeto: Leonor; Verónica; Beatriz

Escola: Escola Secundária c/ 3º ciclo de Caneças

Data: 20.04.2017

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