Parque Biológico de Gaia “sequestra” carbono

Nas últimas décadas, temos assistido a um aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Este facto resulta essencialmente da atividade humana, sobretudo a queima de combustíveis fósseis como o petróleo e o carvão. Este aumento tem sido apontado como a principal causa das alterações climáticas, com impactos diretos negativos sobre os ecossistemas terrestres, nos diversos setores socioeconómicos, na saúde pública e na qualidade de vida da população.

Com o intuito de diminuir a concentração de CO2 na atmosfera, o Parque Biológico de Gaia (PBG) decidiu lançar o projeto Sequestro do Carbono. Para obtermos mais informação sobre este projeto, fomos ao PBG falar com o seu Diretor, o Doutor Nuno Oliveira, e com a Arquiteta Vera Afonso.

Alguns dos alunos com o Diretor do PBG, Dr. Nuno Oliveira

Entrevista

Como surgiu a ideia deste projeto?

Este projeto foi inspirado no conhecimento que tinha de ações semelhantes desenvolvidas noutros países.

Em que consiste este projeto?

O projeto Sequestro do Carbono foi lançado em 2008, no ano em que teve início o primeiro período de cumprimento do Protocolo de Quioto (2008 a 2012). O objetivo deste protocolo é a redução da concentração dos Gases de Efeito de Estufa (GEE) na atmosfera. O GEE mais conhecido é o dióxido de carbono. Este gás é absorvido pela vegetação através da fotossíntese. O Parque Biológico, através da plantação de floresta, pode assim contribuir para este protocolo.

Com este projeto lançou-se o repto ao público em geral: para além de apoiarem a plantação de árvores, apoiarem o PBG a adquirir o terreno para a nova área florestal que será cuidado até à perpetuidade.

Por cada metro quadrado de terreno adquirido pelos mecenas no valor de 50 euros, garantimos o sequestro de 4 Kg de CO2 e emitimos um diploma de adesão.

Nas ações de divulgação da campanha “Confie ao Parque Biológico de Gaia o Sequestro do Carbono” alertamos a população para a problemática das alterações climáticas, para o perigo da perda de biodiversidade e para a importância do Protocolo de Quioto, na altura desconhecido para a maioria da população. Consciencializamos a população para a mudança de comportamentos em casa, no local de trabalho, nas deslocações ou até nas atividades de lazer e a importância de se plantar árvores.

 

Este projeto tem tido muita adesão?

De um modo geral, podemos dizer que sim. No primeiro ano, os aderentes a esta iniciativa foram, na sua maioria, particulares, escolas e empresas que já conheciam e acompanhavam o trabalho do PBG. Outras empresas de âmbito nacional, sediadas em Lisboa, devido à distância e à dificuldade de nos visitarem, aderiram mais tarde. As empresas aderiram de várias formas: umas contribuíram de modo pontual, outras têm participado com regularidade mesmo nos dias de hoje. Os mais criativos foram os particulares: um casal, no dia do seu casamento, em vez de distribuir brindes de oferta pelos seus convidados, ofereceu um diploma de adesão ao projeto. Pais, avós ou padrinhos ofereceram diplomas como presentes por altura das festas de aniversário e do natal aos seus filhos, netos e afilhados. Nas escolas desenvolveram-se atividades de angariação de fundos para adesão ao projeto.

Até ao final do ano de 2012 tivemos cerca de três centenas de aderentes e conseguimos adquirir 4 parcelas de terreno a que correspondem 7,2 hectares de terreno (72.000 m2).

 

Quais as espécies que serão utilizadas na florestação destas áreas?

Apesar do principal objetivo do projeto ser sequestrar carbono, o que exigiria a escolha de árvores de rápido crescimento, o PBG pretende manter a biodiversidade, quer de fauna, quer de flora, e criar uma floresta de proteção e conservação, mesmo que essas árvores sejam de lento crescimento. As árvores que atualmente se encontram nos terrenos a adquirir, serão para manter, exceto se forem espécies exóticas que possam competir com as espécies autóctones ou possam arrastar a transmissão de doenças ou pragas. Apenas plantaremos espécies autóctones.

 

Porque florestam com espécies autóctones?

Por serem próprias da nossa região são mais adaptadas ao nosso clima e por isso terão maior probabilidade de vingar sem grandes cuidados (rega, fertilização ou aplicação de fitofármacos). Serão plantadas tanto folhosas como resinosas.

 

Pode dar-nos alguns exemplos?

Junto à linha de água serão plantadas espécies ripícolas como o amieiro, choupo e freixo, entre outras. Nos restantes locais, espécies arbóreas como a azinheira, o castanheiro, o carvalho ou o sobreiro. As espécies arbustivas plantadas são, por exemplo, azevinho, o medronheiro, a gilbardeira  e o pilriteiro.

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Carvalho Alvarinho (quercus robur)

Castanheiro-300x200

Castanheiro (castanea sativa)

 

 

 

 

 

 

 

Quais as principais dificuldades do projeto?

Sempre pretendemos que o projeto fosse fidedigno. Optamos por mecenas que não procurassem o “greenwashing”, isto é, criar uma imagem positiva dos produtos e serviços que prestavam ao consumidor através deste projeto quando essas empresas eram responsáveis por impactos negativos no ambiente.

Por outro lado, tivemos como objetivo que qualquer empresa aderisse ao projeto sem impor qualquer mínimo de adesão a não ser os 50 euros correspondentes a um metro quadrado de terreno. Cada empresa aderiu de acordo com as suas possibilidades e de acordo com a sua responsabilidade ambiental.

Outra dificuldade foi o facto de o projeto se ter iniciado no ano em que também entramos num clima de recessão económica.

 

CONCLUSÃO

A realização deste trabalho permitiu-nos aprofundar os conhecimentos sobre as graves consequências do aumento da concentração de CO2, nomeadamente ao nível das alterações climáticas.

Por outro lado, ficamos a saber que há Instituições que se preocupam seriamente com esta problemática e que tentam implementar medidas adequadas para o seu combate. O PBG é um ótimo exemplo disso pois pretende reflorestar 230.000 metros quadrados de terreno, o que representaria a diminuição de CO2 em cerca de 920.000 Kg/ano.

Achamos este projeto meritório e, quer o Dr. Nuno Oliveira, quer a Arqª Vera Afonso, estão empenhados em que o objetivo seja plenamente alcançado. Nós gostaríamos de participar em ações de sensibilização e de angariação de verbas, por exemplo, junto das nossas famílias e da comunidade educativa da nossa escola.

 

8ºE

Trabalho realizado por:

Gonçalo Miguel Costa Aguiar (13 Anos)

Rui Jorge Pinho Figueiredo Pacheco (14 Anos)

João Pedro Teixeira Pinto (14 Anos)

Hugo Filipe Magalhães Gonçalves (14 Anos)

João Paulo Lima Monteiro Teixeira (13 Anos)

 

 

Alunos envolvidos no projeto: Gonçalo Miguel Costa Aguiar; Rui Jorge Pinho Figueiredo Pacheco ; João Pedro Teixeira Pinto; Hugo Filipe Magalhães Gonçalves; João Paulo Lima Monteiro Teixeira

Escola: Escola Secundária de Almeida Garrett

Data: 01.04.2015

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