Nos jardins, quer públicos quer particulares, é frequente encontrar muitas espécies de plantas que não são originárias do nosso país. Contudo, algumas destas espécies já são plantadas há tantos anos que nem nos apercebemos deste fato e pensamos tratarem-se de espécies autóctones. Entre as muitas plantas deste tipo merecem especial destaque as palmeiras que são cultivadas no nosso país desde tempos imemoriais. A espécie que se encontra em maior número, e com uma maior distribuição territorial é a palmeira das canárias (Phoenix canariensis). Elvas não é exceção à regra e podemos encontrar em numerosos locais da cidade exemplares desta planta, alguns com muitas dezenas de anos de idade. No entanto nos últimos anos foi possível observar um aumento significativo no número de plantas doentes, moribundas ou mortas. Inicialmente, este aumento na taxa de mortalidade não era facilmente compreensível mas, um olhar mais atento, permite observar o responsável: o escaravelho vermelho ou Rhynchophorus ferrugineus (Fig.1D)


Nos jardins, quer públicos quer particulares, é frequente encontrar muitas espécies de plantas que não são originárias do nosso país. Contudo, algumas destas espécies já são plantadas há tantos anos que nem nos apercebemos deste fato e pensamos tratarem-se de espécies autóctones. Entre as muitas plantas deste tipo merecem especial destaque as palmeiras que são cultivadas no nosso país desde tempos imemoriais. A espécie que se encontra em maior número, e com uma maior distribuição territorial é a palmeira das canárias (Phoenix canariensis). Elvas não é exceção à regra e podemos encontrar em numerosos locais da cidade exemplares desta planta, alguns com muitas dezenas de anos de idade. No entanto nos últimos anos foi possível observar um aumento significativo no número de plantas doentes, moribundas ou mortas. Inicialmente, este aumento na taxa de mortalidade não era facilmente compreensível mas, um olhar mais atento, permite observar o responsável: o escaravelho vermelho ou Rhynchophorus ferrugineus (Fig.1D)

Este animal ataca principalmente a palmeira das canárias embora também possa infestar outras espécies entre as quais se destacam a tamareira (P. dactylifera) e Washingtonia sp. Este inseto é originário da Ásia e Oceânia, tendo iniciado a sua expansão pelo Médio Oriente e África nas décadas de oitenta e noventa. Na Europa colonizou primeiro a Espanha (1995) e mais recentemente outros países da bacia mediterrânica entre os quais se encontra Portugal (2007) (1). Face à sua nocividade, a UE considerou esta praga de luta obrigatória, tendo aprovado a decisão 2007/365/CE, que estabeleceu medidas de emergência contra a introdução e propagação de R. ferrugineus na comunidade (1).

O ciclo de vida deste inseto compreende os estadios de desenvolvimento de ovo, larva, pupa (casulo) e adulto, e ocorre dentro da mesma palmeira com uma duração aproximada de 3 a 5 meses, dependendo da temperatura. No caso concreto do nosso país este inseto pode, num só ano, ter quatro gerações. A disseminação da praga é feita através dos indivíduos adultos que podem voar longas distâncias atraídos pelo cheiro das palmeiras (2).

Uma vez atacadas, as palmeiras apresentam sinais característicos que se devem à atividade alimentar das larvas, entre os quais podemos destacar as folhas desprendidas da coroa, orifícios e galerias na base das folhas com larvas ou casulos, coroa desguarnecida no topo devido ao amarelecimento e seca das folhas centrais (Fig. 1B), folíolos de folhas novas seccionados em ângulo ou com pontas truncadas a direito e uma amálgama de fibras cortadas e húmidas com cheiro fétido. Quando a infestação é detetada em fases avançadas torna-se muito difícil, para não dizer impossível, salvar a planta (Fig. 1C).

Inicialmente o combate a esta infestação fez-se exclusivamente com base em produtos químicos. Estes produtos têm eficácia variável pouco dependente da espécie de palmeira. Devem ser aplicados profundamente no capitel de modo a molhar bem e a chegarem ao maior número de locais, uma vez que o inseto só será afetado se entrar em contacto com os agentes de combate. No caso das substâncias de síntese química, deverá ser ponderado o seu efeito no ambiente e na fauna alojada e visitante das copas das palmeiras.

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Estes tratamentos, além de dispendiosos e ecologicamente prejudiciais, revelaram ser ineficazes para travar a expansão deste inseto. Por esta razão, atualmente, existe uma consciencialização cada vez maior para a necessidade de combater esta praga através de um processo de proteção integrada.

A proteção integrada visa controlar os inimigos das culturas e, neste caso concreto das palmeiras, de forma eficaz e com menores riscos quer ambientais quer para o Homem. Para tal deve recorrer-se à utilização de todas as formas de luta possíveis de modo racional e integrado. As diferentes formas de luta podem integrar, nalgumas fases e de acordo com as necessidades, produtos químicos mas deve ser dada prioridade à utilização de formas de combate biológicas (4).

Numa primeira fase a abordagem, segundo esta perspetiva, fez-se recorrendo à:

– utilização de armadilhas com feromonas (Figura2A) para a captura de adultos, quer para monitorização quer para captura em massa. Deste modo é possível atrair os adultos para o centro dos focos, evitando assim a sua dispersão; monitorizar as populações, permitindo determinar o melhor momento de aplicação dos tratamentos fitossanitários; detetar a sua presença em zonas onde ainda não tenha sido assinalado e realizar a captura massiva como medida de combate;

– realização de tratamentos com pulverizações alternadas, com periodicidade, a variar desde 45 a 30 dias, em função da pressão da praga, utilizando nemátodos entomopatogéneos (Steinernema carpocapsae) que se encontra representado na figura 2B e inseticidas com uso autorizado em palmeiras (1).

Em Espanha, país que se encontra muito afetado por esta praga, está a ser investigada uma outra arma biológica que poderá ser utilizada neste combate. Uma equipa de investigadores de ecologia tenta descobrir os motivos que terão levado os falcões penereiros (figura 2C) da região a alimentar-se quase exclusivamente do escaravelho vermelho. Nesta procura constante de inimigos naturais deste inseto, a esperança parece estar agora ligada ao desenvolvimento de estirpes de fungos entomopatológicos que parasitam os escaravelhos.

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A luta contra o escaravelho da palmeira faz-se em várias frentes. Nesta luta a proteção integrada representa um papel cada vez mais importante e é nela que reside a esperança de vencer esta guerra contra um inimigo que tem demonstrado uma capacidade de adaptação inesperada. Ao utilizar a natureza para fazer frente a esta praga, o Homem pretende salvaguardar a biodiversidade associada às palmeiras e manter o equilíbrio dos ecossistemas. Nesta perspetiva mais ecológica a natureza surge como uma fonte de recursos e soluções inestimáveis e não como o campo de batalha onde se encontram os nossos inimigos.

Bibliografia e webgrafia

  1. http://www.drapalg.min-agricultura.pt/downloads/mediateca/inimigos_culturas/Rhyncophorus_Ferrugineus/RF_Artigo.pdf  (Consultado em 14/05/2016)
  2. http://www.cm-odemira.pt/files/2/documentos/20150428123952724961.pdf (Consultado em 14/05/2016)
  3. http://www.plantagri.com/escaravelho-vermelho-das-palmeiras-rhynchophorus-ferrugineus/ (Consultado em 14/05/2016)
  4. Oliveira, A. et al (2014) – Proteção Integrada das Culturas Vol. 1, Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), Lisboa
  5. http://www.cascaisambiente.pt/sites/cascaisambiente/files/anexos/escaravelho_palmeira.pdf (Consultado em 14/05/2016)
  6. http://www.avesdeportugal.info/images/fal-tin-v1.jpg (Consultado em 14/05/2016)

 

Alunos envolvidos no projeto: Ana Beatriz Grilo (12.ºA); Gabriela Medeiros (12.ºA); Henrique Martins (12.ºA)

Escola: Escola Secundária Dom Sancho II

Data: 13.06.2016

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