O eucalipto no Oeste

O eucalipto é uma espécie nativa da Oceânia, contudo, devido à sua fácil adaptação a praticamente todas as condições climáticas, tem vindo a aumentar, sobretudo nos últimos anos, a sua dominância na flora Portuguesa nomeadamente na região Oeste.


A espécie de eucalipto Eucalyptus globulus é uma angiospérmica dicotiledónea, introduzida em Portugal em meados do século XIX, sendo atualmente a espécie que mais área ocupa na floresta portuguesa e a que mais contribui para a economia do país. Os números confirmam que tem vindo a aumentar continuamente, pelo seu rendimento económico a curto prazo.

A sua principal utilização é a produção de madeira para pasta celulósica. As suas flores são também muito procuradas pelas abelhas para produção de mel.

As folhas de Eucalyptus globulus possuem um óleo essencial

denominado cineol ou eucaliptol que tem propriedades balsâmicas e antissépticas. É empregue, na forma de infusão ou de rebuçados, contra bronquites e catarros. Alternativamente, é possível ferver um conjunto de folhas em água e inalar os vapores, com uma toalha na cabeça.

Apesar de todas estas vantagens socioeconómicas, os eucaliptos acarretam também diversas desvantagens para os ecossistemas de um local, tais como: riscos de elevado consumo de água, erosão dos solos, aposta numa monocultura florestal com pouco potencial em termos de biodiversidade, incêndios mais difíceis de controlar.

De acordo com os principais indicadores do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas), no período de 2013 a 2014, as áreas totais autorizadas para (re)arborização atingem 24.483 hectares, das quais 44 por cento respeitam a eucalipto, 31 por cento a sobreiro e 12 por cento a pinheiro-manso.

Espécies arbóreas em Portugal 2013-2014 (ICNF)

A partir dos dados apresentados, conclui-se que, pelo facto de ocuparem grande porção da área disponível florestal portuguesa, as plantações de eucaliptos dão-se maioritariamente em monocultura. Entende-se por “monocultura” a produção agrícola ou florestal de uma só espécie. Visto que esta plantação em monocultura ocorre em vastas áreas sem terrenos agrícolas, aceiros, faixas de continuidadeque permitam conter os incêndios leva a uma situação bastante preocupante quanto ao nível ambiental, especialmente no Verão (o risco de incêndio nesta altura é mais elevado). Em caso de incêndio são libertadas grandes quantidades de dióxido de carbono para a atmosfera e, para além do mais, os terrenos onde o incêndio atacou, que antes eram férteis, deixam de o ser. Em adição, a prática monocultural é altamente lesiva para a biodiversidade, sendo que incita o aparecimento de novas pragas e o empobrecimento e erosão dos solos em larga escala.

Uma outra desvantagem desta prática é que estas arborizações intensivas provocam a destruição dos recursos naturais, nomeadamente da flora e fauna, contribuindo para a degradação dos recursos hídricos locais, como resultado da ação combinada do uso massivo de agroquímicos e do elevado consumo de água, o que torna difícil, devido à elevada exigência de água por parte dos eucaliptos, o acesso a este recurso por parte das outras espécies integrantes da flora do local.

A sua rentabilidade económica e o interesse industrial dos seus recursos leva a outro grande problema que modifica significativamente os ecossistemas do local em que se inserem, nomeadamente têm vindo a ser derrubadas as plantações originais do local, quer estas sejam plantações agrícolas, quer sejam plantações arbóreas.

Apresentados alguns dos problemas associados a esta espécie arbórea invasora, deve-se refletir se é realmente proveitosa e benéfica a plantação em massa desta árvore num território do qual esta não é nativa. Contudo, ainda há tempo para corrigir os erros cometidos no passado, e por isso, devem-se ter em conta as soluções que se podem implementar para a resolução deste problema ambiental que afeta profundamente a flora da região oeste, embora no tempo presente ainda não sejam observáveis os seus efeitos nefastos, se continuarmos com esta mentalidade industrialista e irresponsável para com o ambiente os seus efeitos degradantes serão visíveis nas gerações futuras.

Posta esta breve reflexão, apontam-se algumas das possíveis soluções para resolver este problema a que se dá maior enfase para para que seja possível fazer a diferença e tornar o ambiente num local mais agradável e com ecossistemas mais saudáveis. Para resolver o problema dos eucaliptos, poderiam ser implementadas, por exemplo, medidas governamentais de controle da quantidade de eucaliptos plantados numa determinada região, sendo que desta maneira poder-se-ia impedir a plantação dos eucaliptos em monocultura por vastas áreas e controlar também o consumo de água por parte destas árvores. Estas medidas governamentais poderiam também obrigar ter faixas de descontinuidade entre determinadas áreas de plantações de eucaliptos, sendo que, assim, em caso de incêndio, este seria mais fácil de controlar e extinguir, pois as faixas poderiam ajudar a impedir a propagação dos fogos.

Uma outra solução seria encontrar uma outra espécie de árvore que não seja tão prejudicial para o ambiente como o eucalipto, e que as matérias- primas provenientes destas árvores tenham propriedades parecidas com as suas. Com esta solução teriam de se ter em conta os diversos riscos referidos acima, pelo que, para além do mais esta não é uma solução propriamente duradoura, pois a procura desta nova madeira levaria a uma plantação em monocultura desta árvore, e isso é prejudicial para o ambiente e para a biodiversidade, tornando todo o nosso propósito de resolução do problema um tanto infrutífero e sem sentido.

Uma solução realmente duradoura para o problema descrito neste artigo seria desenvolver novas tecnologias cada vez mais eficientes na renovação das matérias-primas e dos produtos com elas produzidos, e, com o tempo, tentar acabar completamente com o uso intensivo (ou então desenvolver tecnologias que permitam produzir mais produto a partir de menor quantidade de matéria-prima) dos materiais provenientes dos eucaliptos.

Em suma, atualmente os eucaliptos desempenham um problema ambiental que não se pode ignorar ou menosprezar, contudo, todos temos capacidade de fazer a diferença e agora, com o conhecimento de algumas das possíveis soluções ajudar o ambiente tornou-se ainda mais fácil.

Referências bibliográficas:

http://www.infoescola.com/plantas/eu

http://naturlink.pt/article.aspx?menuid                         6&bl=1

http://www.sabado.pt/opiniao/convidados/antonio-paula-soares/detalhe/porque- querem-acabar-com-o-eucalipto

https://www.rtp.pt/noticias/incendios-2015/eucalipto-a-arvore-que-reina-sobre-a- floresta-nacional_es869927

 

Alunos envolvidos no projeto: João Francisco Costa; João Gonçalves Silva

Escola: Escola Básica e Secundária Fernão do Pó

Data: 31.05.2017

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