“Mar Mineral”: a dependência de um mar azul

Até que ponto estaremos dispostos a dispensar a tecnologia na nossa vida? Há cada vez mais pessoas a querer ter carro, telemóvel, viajar de avião e isso implica mais recursos. As recentes descobertas nos fundos marinhos serão a solução? Esta é uma das muitas ideias apresentadas na exposição “Mar Mineral”.


Aberta ao público desde julho de 2017, a exposição “Mar Mineral”, patente no Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa, tem como finalidade chamar à atenção do público, que a visita, para a descoberta de novos recursos minerais presentes nos fundos marinhos e para a importância de uma futura mineração, tendo em conta soluções inovadoras que visam a extração mineira sustentável em águas profundas.

Somos 7500 milhões no planeta Terra, e a aumentar. Todos temos direito às novas tecnologias. Vamos precisar de novas fontes de matérias-primas?”. Estas são algumas das afirmações e perguntas provocatórias, apresentadas aos visitantes, e que lançam o debate. Numa mesma sala, encontra-se um expositor com vários objetos utilizados no dia-a-dia, desde computadores, eletrodomésticos, tomadas, medicamentos, entre outros, construídos com recurso a minérios, o que demonstra a dependência do Homem na relação direta – mineração vs tecnologia.

Seguindo viagem até às profundezas do mar, é possível visualizar vários elementos naturais, nomeadamente chaminés hidrotermais, características das zonas de divergência de placas tectónicas, nódulos e sulfuretos polimetálicos. Para além destes recursos, e de entre as várias descobertas feitas em mar profundo, a exposição revela ainda a possibilidade de exploração de crostas ferromagnesianas – recursos minerais ricos em cobalto, hidratos de metano e também terras raras que, na verdade, e apesar da sua designação,“não são terras, nem são raras”. Constituem um grupo relativamente abundante de 17 elementos químicos, considerados raros pela dificuldade da sua extração, e que ganham cada vez mais importância nas evoluções tecnológicas da atualidade, sendo amplamente utilizadas na tecnologia de ponta.

As terras raras são essenciais para as tecnologias do futuro, no entanto é sabido que são esgotáveis, tal como muitos outros recursos naturais que se conhecem​​. Se forem extraídos de forma errada ou estudados incorretamente, a sua exploração poderá ter como consequências a poluição da água e do ar, a destruição da paisagem, a produção de resíduos radioativos e a destruição da biodiversidade marinha, entre outras ocorrências.

A exposição “Mar Mineral” resulta de uma parceria entre o Museu, o Instituto Dom Luís, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e o projeto “BlueMining: breakthrough solutions for sustainable deep seamining”. Tendo em conta os estudos feitos no decorrer deste projeto, Fernando Barriga, professor catedrático em Geologia da Universidade de Lisboa e comissário científico da exposição, defende que para se dar início a uma nova exploração oceânica, é necessário desenvolver tecnologia adequada à extração dos recursos, garantir a máxima proteção do ambiente e da respetiva sustentabilidade.

O planeta tem recursos limitados que estão a ser excessivamente utilizados. Face à necessidade de se encontrarem novas matérias-primas, tendo em conta os atuais modelos de desenvolvimento económico e social, haverá uma solução para as várias questões, ou terá de haver várias soluções para cada um dos problemas? Estas e outras interrogações estão, no presente,  a ser tema de debate entre especialistas e opinião pública.

 

Exposição “Mar Mineral”

 

Alunos envolvidos no projeto: Bruna Pablo; Leonor Roquette

Escola: Escola Profissional Ciências Geográficas

Data: 14.02.2019

Partilha esta reportagem em