Muitos monumentos sofrem, diariamente, os efeitos da poluição causada pelo Homem. A cidade do Porto não foge a esta triste realidade. Os seus monumentos são afetados por poeiras, fumos e pelas chuvas ácidas.


Um dos símbolos mais importantes de uma cidade são os seus monumentos e, infelizmente, devido à irresponsável ação humana, estas construções emblemáticas estão a ser degradadas. A poluição é um dos maiores problemas da atualidade e é mais intensa nas grandes cidades, devido ao fluxo de automóveis e à existência de várias indústrias.

Um dos monumentos mais emblemáticos da cidade do Porto é a famosa Torre dos Clérigos (Fig.1), que está integrada num edifício constituído, maioritariamente, por mármore e por granito. Este monumento “começou a ser construído em 1731 e acabou em 1763”, de acordo com o depoimento de Marta Coimbra, funcionária no edifício, e, também, em conformidade com as informações que constam no site oficial da Torre dos Clérigos. Foi reabilitado em 2Figur1 1- Torres dos clérigos014 por evidenciar fortes sinais de degradação. A sua igreja  foi igualmente construída em mármore e granito. Porém, após a reabilitação, a cúpula foi reconstruída em “granito fingido” para evitar ao máximo a deterioração causada por fumos e poeiras que escurecem a rocha.

 

Figura 1- Torre dos Clérigos

A Estação de São Bento (Fig. 2) é outro monumento importante da cidade. A decoração do seu interior confere muita personalidade ao edifício e à cidade. Conforme a informação apresentada pelo site oficial do monumento, o edifício da estação é feito de granito. Contudo, o artista que o projetou pretendeu amenizar o efeito da pedra e decidiu recorrer à tradição do azulejo português para a decoração das suas zonas mais amplas. Este monumento foi considerado um dos mais emblemáticos exemplos do movimento artístico nacional do início do século XX. A sua degradação, tal com na Torre dos Clérigos, é, maioritariamente, causada por fumos e poeiras.

Figura 2- Estação de S. Bento

Outro monumento de destaque na cidade Invicta é a Casa da Música (Fig.3). Segundo o site oficial, o edifício foi projetado, em 1999, no âmbito do projeto “Porto, capital da cultura – 2001”. Este edifício, que abriga diversos espetáculos artísticos, foi construído em betão branco, que é uma rocha formada por areias calcárias e graníticas. A degradação deste monumento depende, sobretudo, das chuvas ácidas (muito reativas com o calcário), que resultam da mistura de gases poluentes com o vapor de água/água da chuva presente na atmosfera.

Figura 3 – Casa da Música

Em suma, todos estes monumentos sofrem uma degradação progressiva devido à poluição atmosférica. Contudo, esse não é o único fator que contribui para a sua degradação. A presença de pombas na cidade, para além de apresentarem alto risco para a saúde humana, por serem capazes de transmitir doenças, influenciam a degradação dos monumentos, pois os seus excrementos têm químicos que deterioram as rochas. E esse é um problema mais fácil de resolver.

Mais a sul deste lindo país, em Lisboa, foram implementadas algumas medidas como: utilizar um sistema dissuasor electroestático, que provoca choques de pequena intensidade, apenas para espantar as pombas e evitar a fixação de ninhos nos monumentos; sistemas sonoros que emitem sons de predadores; proibição da alimentação de aves na rua e remoção de ninhos. No Porto, poder-se-ia implementar medidas semelhantes e atenuar o problema.

A população, por sua vez, pode desempenhar um importante papel na luta contra a degradação dos edifícios, ajudando na conservação de monumentos que são insubstituíveis. Não deve alimentar as aves, deve passar a utilizar transportes públicos em vez de automóveis particulares e deve diminuir o consumismo, para que as empresas reduzam os níveis de produção. Aderir a um estilo de vida sustentável é essencial, para melhorar o ambiente, conservar a cultura e manter a economia saudável.

Referências:

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/intervencoes/mosteiro-dos-jeronimos/instalacao-e-reparacao-de-sistema-dissuasor-de-pombos-e-gaivotas/
https://www.jn.pt/nacional/especial/interior/as-pragas-que-vem-do-ceu-9079074.html
http://www.desprag.com.br/noticias/pombos-uma-ave-que-incomoda
Acedidos em 03-05-2019
https://www.casadamusica.com/pt/a-casa-da-musica/
http://www.ordemengenheiros.pt/pt/agenda/visita-tecnica-a-casa-da-musica-com-concerto-
da-orquestra-gulbenkian/
http://www.ordemengenheiros.pt/pt/centro-de-informacao/dossiers/casos-de-estudo/a-
engenharia-da-casa-da-musica/betao-branco/
https://www.google.pt/imghp?hl=pt-PT
Todos os sites acedidos em 22/03/2019
Dias A., Guimarães P., Rocha P. Geologia10. Areal editores. 1ª edição, 2018.

 

Alunos envolvidos no projeto: Ana Lombardi Nº2; Bruna Sobral Nº6, Cristiana Carvalho Nº7 10ºB

Escola: Escola Secundária Filipa de Vilhena

Data: 21.05.2019

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