CIMPOR : moradores de Alhandra queixam-se de “maus cheiros” e “poeiras no ar”

A fábrica da Cimpor em Alhandra é a maior do grupo em Portugal. Grande parte da sua produção tem como destino o mercado da exportação. E a sua produção tem sido alvo de várias críticas por parte dos moradores desta vila às portas de Lisboa que se queixam de maus cheiros e da poeira causada pela operação da Fábrica bem visível nos pára-brisas dos automóveis. A situação não é nova e já se arrasta há vários anos.


Fundada em 1976, a Cimpor assume-se como um dos 10 maiores grupos cimenteiros a nível mundial e emprega mais de 9000 pessoas em 8 países, entre os quais Portugal, Moçambique e Brasil. Em território nacional a cimenteira tem três fábricas: uma das quais localizada em Loulé no distrito de Faro, outra em Souselas no concelho de Coimbra e uma última em Alhandra no concelho de Vila Franca de Xira. Em termos financeiros a empresa só no ano de 2016 teve prejuízos na casa dos 700 milhões de euros, número 10 vezes maior ao registado no ano anterior: a queda de cerca 35% de negócio no mercado brasileiro é apontado como o principal responsável. Ainda assim, a produção em Portugal não pára e a exportação assume-se como o principal destino de grande parte do cimento produzido a nível interno.

Cimpor

A fábrica em Alhandra, vila pertencente ao concelho de Vila Franca de Xira, assume-se como a maior do grupo em Portugal e é uma das principais imagens de marca e fonte de dinamismo económico desta vila às portas de Lisboa. Mas a sua atividade tem sido alvo de várias críticas e descontentamento por parte dos moradores que se queixam frequentemente dos maus cheiros e da poeira causada pela operação da Fábrica. “ Há dias em que o ar é irrespirável e por isso nem podemos abrir as janelas, já para não falar da roupa que está estendida e que fica toda suja com a poeira”, afirma Irene Fernandes, a morar em Alhandra há mais de 20 anos.

O sentimento de preocupação é partilhado por grande parte dos moradores que têm ainda bem vivo na memória o surto de “legionella” que afetou o concelho em 2014 e que atingiu 375 pessoas e fez 12 vítimas mortais: “Uma pessoa já nem sabe se é seguro sair à rua quer para nós quer para os nossos filhos e se, sem saber, está a apanhar uma doença qualquer que se pode tornar grave como aconteceu em 2014 aqui no concelho com a legionella”, sublinhou Maria Mata que há já muito tempo sente a poeira causada pela fábrica no pára-brisas do seu automóvel.

Um estudo da associação ambientalista “Zero” do ano de 2014 aponta a unidade fabril da Cimpor em Alhandra como a quinta mais poluente do ar a nível nacional segundo dados do “Registo de Emissões e Transferências de Poluentes”. Segundo o mesmo estudo, que aponta a central termoelétrica em Sines como a mais poluente do país, os resíduos mais frequentemente emitidos são o dióxido de carbono, mercúrio e, entre outros, fluoretos.

Apesar das várias críticas da população e já várias reclamações tanto à empresa como ao município, o cenário mantém-se o mesmo e as partículas de poeiras no ar e maus cheiros continuam a ser recorrentes. Neste sentido um morador criou uma página no facebook intitulada de “Chega de Poluição em Alhandra” que já soma mais de 400 gostos e que partilha fotos e vídeos nos quais são visíveis a poeira provocada pela chaminé da fábrica.

Em todas as abordagens por parte da comunicação social, nomedamente à Agência Lusa, a Cimpor garante “cumprir todos os requisitos legais” e acrescenta dizendo que todas as emissões resultantes da operação da fábrica são “permanentemente monitorizadas, através de equipamentos certificados por entidades externas à Cimpor e acreditadas para o efeito”. Ainda assim, a poluição resultante da ação da fábrica continua a ser visível e os moradores de Alhandra esperam medidas urgentes por parte do executivo camarário e até mesmo do governo central.

 

Alunos envolvidos no projeto: Rúben de Matos

Data: 04.01.2018

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