O consumismo tem tendência a aumentar. Será que uma ida ao supermercado é tão inocente como a classificamos? Comprar um chocolate para satisfazer o vício do açúcar contribui para mais uma das árvores no pulmão do planeta ser destruída. Será que somos relevantes para alterar comportamentos individuais/coletivos, ajudando a Terra? Sim, temos que acreditar que sim. Se não formos nós, quem será?


Muitos dos produtos alimentares têm algo prejudicial ao ambiente, destacando-se o óleo de palma. Este componente é um dos principais motivos para a cultura de palma e substituição das florestas tropicais pela monocultura, juntando-se e ultrapassando a cultura de soja. Consequentemente, os habitats são destruídos, havendo imensas mortes de seres vivos, extinção de espécies, sendo os ecossistemas gravemente afetados. A Quercus alerta para a destruição da floresta tropical em São Tomé e Príncipe, causada pela produção de óleo de palma.
Motivados por esta temática os alunos da turma 8ºD da Escola Básica D. Pedro IV, em Monte Abraão, resolveram investigar os produtos prejudiciais (precisamente, óleo de palma na sua composição) e identificar alternativas aos mesmos. O nome do projeto “Do que (não) te orgulharás” foi escolhido pela razão da sua forte mensagem e honestidade das pessoas para consigo e para com o ambiente, ou seja, mudar o seu ponto de vista e hábitos negativos para comportamentos mais positivos, tirando o “não” da frase (por isso é que se encontra dentro de parênteses). A proposta de trabalho foi apresentada à comunidade escolar no Conselho Eco-Escolas que se realizou no dia 28 de fevereiro de 2019.

A investigação realizada pelos alunos contribuiu para a descoberta da frequência do mau uso dos terrenos férteis e valorização da importância da salvaguarda da floresta.
A maioria das grandes empresas que produzem produtos alimentares utiliza o óleo de palma na sua composição: Nestle (cereais), Ferrero (creme de avelã nutella, bombons), Titi (batatas fritas), Kinder (chocolates).

                Do que não te orgulharás!

Há suspeitas de que este óleo seja prejudicial à saúde humana, todavia há certeza quanto ao seu impacto ambiental. Estudos indicam que, se a desflorestação na Amazónia se mantiver a este ritmo, até 2050 podem desaparecer 80-90% das espécies que dependem destes ecossistemas.

 

Não foi só nos alimentos para humanos que os alunos identificaram óleo de palma e soja, também em rações e biscoitos para cães (Royal Canin, por exemplo). Contudo, algumas empresas conscientes das suas responsabilidades estão a alterar as suas atitudes, sendo motivo de orgulho e de exemplo a seguir.

Os alunos, envolvidos no programa “É o meu Negócio” da Organização «Junior Achievement Portugal», tiveram a oportunidade de criar uma ideia empreendedora que estes considerassem importante para a sociedade/escola. O trabalho vencedor foi «FBS – Floresta Bonita e Sã» que propunha a criação de uma aplicação para Android e IOS, onde o utilizador podia, através da câmara do telemóvel e do código de barras do produto, aceder às informações positivas e negativas do mesmo. A aplicação incluía uma funcionalidade de pesquisa rápida, colocando o produto em causa num ranking de mais positivos e/ou mais negativos. Para além da criatividade revelada pela proposta de valor, o júri considerou que a ideia vinha preencher uma necessidade de mercado com sustentabilidade.

Ideia de negócio “FBS – Floresta Bonita e Sã”

Com a ajuda de um patrocínio, a ideia de negócio abrangeria um público-alvo diverso e poderia ajudar a alterar a panorâmica dos consumidores em relação ao que compram e ao impacto ambiental das suas escolhas.
Em suma, os hábitos são mais fáceis de alterar quando são resolvidos rapidamente, ou seja, os jovens são os mais propensos a entender que há algo a fazer e podem ser eles os tais a mudar o mundo. – “A educação não transforma o mundo… Muda as pessoas que transformam o mundo.”, Paulo Freire, 1996.

 

Alunos envolvidos no projeto: Sadik Cassam

Escola: Escola Básica 2,3 D. Pedro IV

Data: 15.06.2019

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