As alterações climáticas e a seca – que medidas tomar?

O clima está a ser alterado cada vez mais ao longo do tempo e a prova disso foi a pior das secas dos últimos 100 anos que Portugal passou com, mais de 87% do país em seca severa e 7% em seca extrema. Temos de nos preparar para uma outra eventual seca ou outras consequências que provenham desta mudança de clima, para isso é necessário tomar certas medidas tendo em atenção as regiões do país mais sujeitas a estas alterações.


O conhecimento atual aponta para que a Terra seja o único planeta do sistema solar onde existe água no estado líquido, na qual se desenvolveram as primeiras formas de vida. A água é um bem essencial a todos os organismos e sem ela não era possível a nossa sobrevivência.

Seca Extrema em 2017.Barragem de Campilhas no Alentejo

Acontece que o Mundo anda há muito tempo com um défice de água para consumo e o aumento do efeito de estufa não ajuda nada, visto que leva à seca em vários países e Portugal foi um dos afetados.

Um ano que, com certeza, ficou marcado na memória dos portugueses foi o de 2017,  Portugal viveu a pior das secas dos últimos 100 anos, no qual, das 60 albufeiras monitorizadas, 28 estavam abaixo dos 40% do volume total estando, assim, mais de 87% do país em seca severa e 7% em seca extrema.

Confrontando-se com este período vivido em Portugal, os ambientalistas defendem certas medidas nomeadamente o melhor uso eficiente da água através da mudança de certos comportamentos, como por exemplo, reduzir o consumo de água na lavagem do carro, não deixar as torneiras a pingar e evitar os banhos de imersão. Outra medida defendida é a reutilização da água tratada, poderíamos aproveitar as águas residuais que produzimos a partir do chuveiro, dos lavatórios e das máquinas, tratando-as e utilizando-as em funções que não precisam de água potável, como a rega, o autoclismo e a lavagem de pavimentos.

Os ambientalistas argumentam também que é essencial o investimento em eficiência energética, o encerramento próximo das centrais térmicas a carvão e a aposta nos recursos renováveis para produção de eletricidade, principalmente solar e eólica. Porém também se defende que as barragens e albufeiras são uma ótima aposta para enfrentar as secas, possibilitando o uso da água para a agricultura e para o abastecimento doméstico ou industrial, contribuindo para a regularização dos cursos de água e ainda permitindo a produção de eletricidade. Apesar de haver pessoas que defendem as barragens há, também, quem não o faça, apontando que as bacias hidrográficas que alimentam os nossos rios estão maioritariamente situadas em Espanha, além disso muitas barragens destroem solos agrícolas, paisagens únicas, ecossistemas raros e valores patrimoniais inestimáveis com um elevado potencial turístico.

As zonas mais afetadas por esta alteração climática dependem claramente dos reservatórios existentes nessas zonas.No Alentejo e no Algarve esta alteração é grave devido a localizarem-se no sul do país onde há uma maior radiação solar. Também Viseu e a região transmontana são afetadas devido à continentalidade.  Nestas localizações é especialmente importante haver reservas de água para não ocorrer o défice da mesma. Relativamente às regiões litorais não é necessário muito alarme porque está a jusante ou na parte final das bacias hidrográficas onde, em princípio, haverá maior disponibilidade de água.

Num plano mais alargado é, também, tempo de se pensar em sistemas de dessalinização da água do mar através do uso de

Central dessalinizadora no Porto Santo. Foto: Águas da Madeira – DR

processos físico-químicos para a retirada de sal da água. Já são alguns os países com escassez de água que usam esta tecnologia. Em algumas ilhas, por exemplo, é a única forma de  se conseguir um volume razoável de água para consumo.Por exemplo, no Porto Santo, na Madeira, funciona uma das três primeiras centrais de dessalinização do Mundo que adotaram a tecnologia da osmose inversa, um processo de purificação da água através de uma membrana. Esta ilha usa este sistema, de forma a não prejudicar o turismo que é um dos setores que mais é afetado pela escassez de recursos hídricos.

O clima está a ser alterado e têm de se tomar, rapidamente, medidas para preservar a água e, assim, estar-se melhor preparado para enfrentar quaisquer consequências que provenham da sua escassez. Quando já não houver água disponível para abastecer as populações em ocasiões de seca, por exemplo, irá ser demasiado tarde para agir!

 

 

 

Alunos envolvidos no projeto: Sara Antunes de Sousa

Data: 15.04.2018

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