A Floresta e os Mais Jovens

O Correio da Manhã e a Associação da Indústria Papeleira (CELPA) debateram em direto, no dia 28 de junho, na Fundação Cupertino de Miranda – Porto, a situação da floresta portuguesa, os projetos de educação ambiental e o envolvimento dos jovens nas causas ambientais.


 

Vista geral da sala conde os oradores discursam perante os presentes. Ambiente geral do debate.

A visão que os mais jovens têm da floresta portuguesa foi o mote da conferência integrada na II edição do Prémio Floresta e Sustentabilidade. Este ano as categorias são mais abrangentes sendo distinguidos projetos nas categorias de Gestão e Economia da Floresta (projetos sustentáveis lançados por produtores, empresas florestais, prestadores de serviços ou outras entidades), Floresta e Comunidade (projetos de educação ambiental e florestal provenientes de ONG, autarquias ou outras entidades), Inovação e Ciência (projetos inovadores na área das ciências exactas, sociais, humanas e naturais), sendo este ano a novidade da categoria Escola e a Floresta, querendo este prémio distinguir projetos de escolas através de trabalhos realizados por alunos que frequentem o 10º, 11º e 12º anos, coordenados por docentes.

No estúdio estiveram Miguel Freitas, secretário de Estado das Floresta e Desenvolvimento Rural, Carlos Vieira, Director-Geral da CELPA, Celso Costa, professor na Universidade Católica Portuguesa, Jorge Teixeira, professor na Escola Secundária Júlio Martins, José Oliveira, psicólogo ambiental e Paulo Cardoso, Jovem Repórter para o Ambiente.

O secretário de estado, Miguel Freitas, abriu a sua participação no debate explicando que o desenvolvimento da floresta depende de todos sendo que a “Floresta ocupa 2/3 do território português” e por isso, “gera uma grande importância na economia de Portugal”. Realçou, no entanto, que não existe só valor económico mas também “social e ambiental”, por meio de compromissos mais sustentáveis, que vêm sendo adotados ao longo dos anos, e que têm contribuído para “conseguirmos ter um equilíbrio de carbono” em detrimento do ano de 2017, em que pela primeira vez, afirma que a floresta criou carbono e os números aumentaram exponencialmente.

O jovem Paulo Cardoso, abordado pela importância dos projetos nas escolas e do envolvimento dos alunos nas causas ambientais, revelou que cada vez mais as escolas estão atentas aos projetos de educação ambiental, aderindo ao Programa Eco-Escolas e ao Programa Jovens Repórteres para o Ambiente, que criam uma relação de proximidade com toda a escola e sensibilizam de forma eficaz os alunos para a sustentabilidade ambiental.

Paulo Cardoso, Jovem Repórter para o Ambiente intervém no Debate

Do ponto de vista dos professores, Celso Costa e Jorge Teixeira confirmam que o envolvimento dos alunos é essencial em projetos de educação ambiental, realçando que têm de dar resultados e ser eficazes a todos os níveis, porque as “escolas são um fator muito importante para cativar os alunos para a prática e para as soluções para a floresta”, podendo assim desenvolverem-se iniciativas com os jovens, levar os alunos para o terreno podendo estudar e compreender a floresta. José Palma-Oliveira, psicólogo ambiental, abordou a dimensão cognitiva e emocional dos jovens para com a floresta, realçando a diferença de como é vista a floresta entre os jovens que vivem na área urbana e os jovens que vivem no meio rural. Sendo que o desenvolvimento cognitivo começa no pré-escolar, afirma que é importante “haver empatia com a floresta” e “trazer a floresta para a cidade” porque os jovens “têm de saber realmente o que é a floresta”.

 

 

 

Alguns dos oradores do Debate “Floresta e os Mais Jovens”

Carlos Vieira, introduz o tema de que a floresta emprega cem mil pessoas deste país, sendo um fator chave para a indústria e para a nação. Como presidente da CELPA, apresenta o prémio Sustentabilidade e Floresta como uma forma de premiar e reconhecer as boas iniciativas ambientais. No entanto, ouvindo a afirmação de Paulo Cardoso de que “é preciso poupar papel e reciclar cada vez mais, por um mundo melhor”, declarou que “quanto mais papel se utiliza, mais árvores são plantadas e mais poluição é absorvida”, transmitindo a ideia de que a indústria de papel é um paradigma de circularidade.

Este evento promovido pela CELPA e pelo Correio da Manhã consistiu num debate aberto com o intuito de capacitar todos os interessados presentes em intervirem relativamente a informações sobre o que podemos fazer pela floresta com a participação dos jovens.

 

Quantos mais papel é gasto, mais árvores são plantadas. – Carlos Vieira

A floresta é cada vez mais precisa na sociedade. – Miguel Freitas

Participam 500 alunos nas nossas atividades, durante o ano. – Jorge Teixeira 

Os jovens devem estudar a Floresta. – Paulo Cardoso

Jovens não sabem o que é a floresta. – José Palma-Oliveira

Investir o tempo em sensibilizar para o ambiente. – Celso Costa 

 

Alunos envolvidos no projeto: Paulo Alexandre Dias Cardoso (jra freelancer)

Data: 03.07.2018

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