Um problema ambiental português chamado ALMARAZ…

Um problema ambiental português chamado ALMARAZ…

A Central Nuclear de Almaraz dista da capital,  madrid cerca de 180 quilómetros. Do território português apenas Almarazuma centena.   Situa-se em Cáceres,  província da Estremadura Espanhola.  Almaraz torna-se,  assim um problema português.  A autorização do projeto data de 29 de outubro de 1971.  A sua construção concretiza-se a 2 de julho de 1973,  por sinal,  no mesmo ano em que se iniciou a empreitada de construção do complexo.  Colocar em funcionamento esta central nuclear foi um processo, desde o início cheio de incidentes,  a partir de 1981.  Foi a quarta central espanhola abrir portas e a primeira da segunda geração.  quanto aos incidentes,  os problemas técnicos surgiram quase que de imediato,  erros e paragens não programadas,  algo que afetaram alguns elementos essenciais quanto à sua segurança. A juntar a tudo isto,  refere o Movimento Ibérico Antinuclear, mais de 4.000 modificações de desenho realizadas durante a sua vida útil,  incluindo a mudança dos geradores de vapor.

Apesar da central nuclear se encontrar em território espanhol, Este é mesmo um problema português. E porquê?  São as águas do rio Tejo que fazem a refrigeração deste complexo  radioativo. Daí ser este intrincado esquema internacional.  Afinal, a água transmite radiação e todos sabemos por onde passa o Tejo e, em última análise,  onde desagua.  Por isso,  referindo o Movimento Antinuclear, exaustiva de incidentes aponta o ano de 1983 como o início do perigo,  a contaminação do circuito secundário da Unidade Um. Multiplicaram-se os incidentes,  com menos ou mais gravidade até ao ano passado. A 11 de janeiro de 2016 é a data onde se detecta uma falha numa das bombas de refrigeração  do circuito terciário de Almaraz,  conhecido como serviço de águas essenciais.

Com tamanho histórico de uma central cujo tempo de vida útil terminou à 5 anos a situação é de meter medo,  a espanhóis e portugueses. É que todo o complexo nuclear funciona com margens de segurança,  consideradas insuficientes dado que pode permitir que trabalha com bombas afetadas por um problema de desenho que pode causar falhas no circuito terciário,  o que pode causar a deficiente extração do calor ao circuito secundário,  o que por sua vez,  coloca em causa o circuito primário.  Enfim,  uma sucessão de problemas em cadeia que podem resultar numa tragédia a curto,  médio e longo prazo.

Assim,  e perante as evidências e exemplos dos efeitos das deficiências e riscos na exploração da energia nuclear, lembro Chernobyl, na então URSS , ou Fukushima,  no Japão,  há quem clame pelo encerramento da Central Nuclear de Almaraz. O argumento mais forte prende-se com o prazo em que termina oficialmente o seu funcionamento,  ou seja,  junho de 2020.

É certo que faltam alguns anos, e agora o governo está a tentar arAlmaraz_2ranjar motivos para prolongar a vida útil da central:  construir um edifício de armazenagem de resíduos radioativos…  não fora mas dentro do perímetro de Almaraz.  Se conseguirá ou não é uma incógnita. A decisão do governo espanhol está tomada e coube ao governo português apresentar queixa à comissão europeia que é quem vai decidir o tal sim ou não sobre a construção da dita obra. Uma coisa parece certa, se a autorização for dada vamos ter um perigo a porta por mais anos,  talvez muitos anos.  O dito armazém será a chave ou a estratégia para a continuação da laboração da Central Nuclear. O perigo radioativo não respeita fronteiras.  O ar é de todos… e mais,  o Tejo aqui tão perto.

 

Alunos envolvidos no projeto: Manuel Farias

Data: 03/02/17

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