Óleo de palma-desflorestação por produtos do quotidiano

Óleo de palma-desflorestação por produtos do quotidiano

Segundo o Parlamento Europeu, o óleo de palma representa um terço dos óleos vegetais produzidos a nível mundial. Este é um produto muito utilizado devido ao seu alto rendimento a baixo custo económico. No entanto, os custos ambientais não se revelam tão baixos.

Produtores de óleo de palma queimam e destroem grandes parcelas das florestas tropicais, ricas em habitats e em biodiversidade, de modo a terem espaço para plantar palmeiras. Desta forma, pessoas e animais ficam desalojados, plantas são queimadas, e a produção aumenta.

orangotango

Orangotango. Fonte:www.contattonews.it

Cerca de 87% da produção vem da Malásia e da Indonésia, fazendo destas as áreas mais afetadas pela desflorestação. O habitat de tribos nativas, orangotangos e outros animais em vias de extinção está a ser substituído por plantações palmeiras. Entre 2009 e 2011 foram destruídos quase 3 mil hectares de florestas.

Após a apanha do fruto as plantações são queimadas e dão lugar a novas palmeiras tornando a plantação viável do ponto de vista do produtor, sendo que, 4,5 milhões de pessoas dependem deste cultivo. Assim sendo, qualquer solução ambientalmente sustentável deve ter em consideração estas mesmas pessoas.

Uma vez que a legislação não obriga o fabricante a indicar a quantidade ou o tipo de óleo vegetal utilizado, este aparece frequentemente identificado, simplesmente, como “óleo vegetal”. Encontra-se sobretudo em produtos alimentares, tais como: batas fritas de pacote, pastas para barrar, molhos e comida instantânea. Pode ser também encontrado em sabonetes sólidos, exemplo dos produtos de cosmética e em biocombustíveis.

A sua composição após processamento, aproxima-se da de óleos animais, sendo rica em ácidos gordos saturados que favorecem o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, o aumento do colesterol no sangue, a diabetes, alguns carcinomas e outras doenças crónicas. Este pode ser saudável, tanto para o Homem como para o ambiente, quando produzido de forma sustentável e consumido no seu estado puro, já que, contém várias vitaminas que são reduzidas no processo de oxidação, pelo qual passam na industria, não chegando ao consumidor.

Este óleo é extraído da polpa do fruto da palmeira, proveniente da Ásia, África e da  América Latina.

A Mesa Redonda para um Óleo de Palma Sustentável (RSPO- Roudtable Sustainable Oil Palm) é uma associação voluntária, criada pela WWF, que reúne os grupos ligados à produção deste óleo: produtores, processadores, fabricantes de produtos para consumo, e investigadores, além de ONG’s sociais e ambientais. O seu objectivo é permitir que as empresas, governos e sociedade civil a trabalhem em conjunto para melhorar os padrões de produção de óleo de palma e satisfazer as expectativas dos mercados globais de forma sustentável. Empresas como a Ferrero, ALDI Nord e P&G já aderiram a esta associação para melhorar a qualidade ambiental dos seus produtos. Neste momento 10% do óleo processado em todo o mundo cumpre estes os requisitos, pelo que tem um certificado da RSPO, ou seja, os funcionários têm condições de trabalho aceitáveis (o que não acontece em muitas destas produções), não provocam mais desflorestação nem colocam espécies em perigo e não plantam em áreas protegidas.

O óleo pode ser processado a temperaturas menores, mantendo as suas vitaminas, no entanto, isso acarta um custo acrescido de cerca de 20% e um atraso na produção, algo a que nem todas as empresas estão dispostas. Ainda assim empresas como a Ferrero, seja por razões ambientais ou de marketing, já aderiram a este processo. Vários trilhos podem ser seguidos no caminho da produção sustentável, caminho esse que ainda se encontra apenas no seu início. Soluções que sejam tanto ambientalmente responsáveis como economicamente viáveis são difíceis de encontrar, mas fundamentais para que possamos ter crescimento e desenvolvimento, que leva à melhoria das condições sociais, e um planeta saudável, essencial para a preservação das muitas espécies que nele habitam, incluindo a nossa.

Alunos envolvidos no projeto: Madalena Xavier

Data: 31/01/17

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